O traumatismo cranioencefálico (TCE) é considerado um problema de saúde pública no Brasil, com impactos econômicos significativos, pois a maior parte das vítimas situa-se na parcela ativa da sociedade, os chamados adultos jovens. A gravidade deste cenário no país fica clara através da dados do Datasus, do Ministério da Saúde.
Em período de apenas quatro anos (2020 a 2023), no Brasil, ocorreram 241.836 internações hospitalares de pacientes com TCE (traumatismo cranioencefálico), das quais, 75% foram homens (182.748). Não bastasse a mudança radical na vida da vítima de TCE, com consequências também para a família, outro dado reflete o impacto na economia do país.
Destas mais de 241 mil pessoas, 41% encontram-se na faixa etária entre 20 e 49 anos, respondendo por 100.746 internações hospitalares. “O grande desafio do país, em particulares dos serviços e profissionais de saúde, é a reabilitação destes pacientes para que tenham qualidade de vida e possam retornar às suas atividades diárias, se possível, profissionais”, afirma a médica fisiatra Ana Cristina Ferreira Garcia Amorim, vice-presidente da Regional Centro Oeste da Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação (ABMFR).
Jovens adultos são parcela considerável porque a principal causa dos traumatismos cranianos são os acidentes automobilísticos, envolvendo carros, motos e bicicletas e atropelamentos. Entre os idosos, quedas são o principal motivo.
A reabilitação de pacientes com TCE é um processo multidisciplinar que visa recuperar as funções físicas, cognitivas e comportamentais afetadas pelo trauma. Este processo é conduzido por uma equipe multidisciplinar, formada pelo médico fisiatra, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, psicólogo, entre outros.
Na recuperação do paciente, a médica fisiatra ressalta que se deve trabalhar com o tempo a favor, ou seja, quanto antes a equipe avaliar o quadro clínico, melhor para o paciente. “É muito importante que se estabeleçam os diagnósticos funcionais, ou seja, quais as dificuldades esses pacientes estão apresentando não só da parte motora, mas também da parte cognitiva, que envolve orientação, memória e atenção”, explica Dra. Ana Cristina. “Devemos avaliar também a linguagem, como está a comunicação, como esses pacientes estão conseguindo realizar suas atividades de dia a dia, e sabermos quais as dificuldades que familiares e cuidadores estão tendo no cuidado”, completa a diretora da ABMFR.
Concluída a avaliação criteriosa do paciente, o médico fisiatra propõe as melhores opções terapêuticas visando a recuperação neurológica e das habilidades comprometidas, além de melhoria da qualidade de vida do paciente, da família e até do cuidador, profissional fundamental nesta fase.
Avanços importantes têm acontecido no campo da reabilitação destas pessoas, o que envolve medicamentos, técnicas terapêuticas e até o uso de realidade virtual e robótica, salienta Dra. Ana Cristina. “Isso tudo é fundamental, porém, as pessoas antes devem se conscientizar de que podem adotar ações preventivas e recomendá-las a familiares e amigos”, afirma a médica fisiatra.
São ações simples, como obedecer aos limites de velocidade no trânsito, utilizar sempre o cinto de segurança e o capacete, acomodar as crianças no banco traseiro em assento adequado e não utilizar celular enquanto dirige, entre outros. A profissionais que trabalham também em situações de risco, como em alturas, utilizar os dispositivos de segurança.
Em relação aos idosos, as quedas podem ser evitadas realizando adequações e instalando dispositivos no ambiente domiciliar como barras de apoio, eliminar degraus, retirar tapetes e obstáculos físicos.
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